Texto organizado a partir de entrevista com Ivan Chapochnicoff em 10 de setembro de 2026. As falas são do autor; o roteiro e o exemplo numérico são elaboração editorial, não relato de uma operação real.
Para Ivan, separar dinheiro pessoal e dinheiro da empresa depende de uma regra que precisa ser respeitada no cotidiano: definir o pró-labore. Não basta combinar uma retirada se, ao longo do mês, despesas pessoais continuam sendo pagas pelo caixa do negócio.
“O dinheiro da empresa não é da pessoa e o dinheiro da pessoa não é da empresa.”
Ivan Chapochnicoff
Na entrevista, ele reforçou a necessidade de “ter um pró-labore definido e respeitar esse pró-labore”. Acrescentou que a empresa também precisa respeitar o seu recebimento. A orientação tem dois lados: o proprietário organiza seus compromissos pessoais e o negócio planeja o pagamento, em vez de tratar a remuneração como uma sobra imprevisível.
Transforme o combinado em um registro
Um roteiro para colocar esse princípio no papel é registrar o valor e a data previstos para a remuneração e separar esse movimento de qualquer transferência extra. O valor precisa caber na realidade do negócio; não existe aqui uma porcentagem universal sugerida sobre faturamento.
O Sebrae orienta separar as contas e planejar a retirada considerando a capacidade da empresa. A definição contábil e os encargos aplicáveis ao pró-labore devem ser tratados com o contador.
Como uma retirada extra muda o caixa
Considere este exemplo hipotético: após reservar todos os pagamentos previstos, inclusive o pró-labore, a empresa projeta terminar a semana com R$ 2.000 disponíveis. Surge uma despesa pessoal de R$ 700 e o proprietário a paga pela conta empresarial, sem ajustar o planejamento.
| Situação | Saldo previsto |
|---|---|
| Após os compromissos já planejados | R$ 2.000 |
| Após o pagamento pessoal adicional de R$ 700 | R$ 1.300 |
A diferença de R$ 700 não desaparece porque o proprietário considera que “o dinheiro é meu”. Ela reduz o caixa que estava disponível para o negócio. Se a transferência for necessária, precisa ser identificada, registrada e refletida na previsão; sua classificação não deve ser improvisada.
O que fazer quando o combinado não cabe
Se o orçamento pessoal depende repetidamente de retiradas extras, compare os gastos com a remuneração planejada. Se é a empresa que não consegue pagar na data prevista, examine os recebimentos e vencimentos antes de assumir novos compromissos. O registro serve para mostrar a dificuldade, não para escondê-la.
Uma revisão do valor exige observar a capacidade de pagamento do negócio e as necessidades pessoais, com os registros contábeis adequados. O ponto defendido por Ivan é manter a separação clara, inclusive quando o acordo precisa ser revisto.
Continue pelo roteiro de previsão de caixa, que mostra como um atraso no recebimento altera o saldo de uma semana.
Sobre o autor: Ivan Chapochnicoff é empresário há 25 anos e trabalha com consórcio há 2 anos. Este conteúdo é educativo, não constitui recomendação individual e não substitui orientação contábil.
